Implantada na Rua dos Ilhéus, no Funchal, a Quinta das Fontes é uma quinta madeirense classificada, com valor patrimonial relevante na estrutura urbana da cidade. A intervenção procura conciliar a preservação da memória construída com a introdução de um novo programa turístico, mantendo o carácter unitário do conjunto, articulado pelo jardim.
Na frente do lote, a antiga casa-mãe mantém o papel central na composição, organizando a relação com a rua e com os espaços verdes interiores. Preservam-se volumetria, proporções e linguagem arquitectónica, garantindo a continuidade da identidade histórica e a legibilidade do conjunto. A tardoz, o edifício preexistente anteriormente usado como armazém de vinhos é reabilitado, mantendo a sua leitura sóbria e robusta e permitindo a conversão em unidades de alojamento tipo loft, sem perder a memória visual do uso original.
Entre a casa-mãe e o antigo armazém, um pátio interior funciona como elemento articulador, assegurando iluminação, ventilação e relação directa com o jardim. A nova construção desenvolve-se a partir de uma cota inferior, com linguagem contemporânea e contida: a volumetria acompanha a topografia e integra-se na estrutura verde da quinta, reduzindo o impacto visual quando observada das cotas superiores. A cobertura ajardinada prolonga o plano natural do jardim e reforça a continuidade paisagística.
O jardim assume um papel estruturante, com percursos pedonais, zonas de estadia e área de piscina organizadas para preservar o carácter resguardado da quinta. Materialmente, estabelece-se um diálogo entre tradição e contemporaneidade: a casa-mãe mantém a expressão original, o armazém conserva a sua robustez, e o novo volume recorre a betão aparente, madeira e amplos planos envidraçados, numa linguagem depurada que se integra sem competir com a preexistência. A arquitectura e o design de interiores são da RH+ Arquitectos, com arquitectos responsáveis Roberto Castro e Hugo Gil Jesus, colaboração da equipa RH+ e encomenda de cliente privado.